“O câncer pode ser o pontapé inicial para uma vida nova”, garante oncologista


Luiz Antônio Negrão Dias, médico oncologista e diretor do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP)

Luiz Antônio Negrão Dias, médico oncologista e diretor do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP)

Um dos grandes medos da maioria das pessoas é também a única certeza que temos: a morte. Mas o receio é ainda maior quando se fala em doenças que podem tirar a vida muito antes da hora esperada, e cujos efeitos trazem sofrimento e dor. O câncer entra como protagonista quando o assunto é trazido à tona; e não há quem não fique no mínimo apreensivo ao falar a respeito.

Não há motivos para pânico

Mas a enfermidade já não deve ser encarada de forma sombria e irreversível, até porque os tratamentos existentes hoje são bastante aprimorados e deixam para trás as estatísticas assustadoras de anos anteriores. De acordo com Luiz Antônio Negrão Dias, médico oncologista e diretor do Instituto de Oncologia do Paraná (IOP), que esteve presente no Canal Aberto do Jornal da RB2 de hoje (16), há 40 anos a taxa de mortalidade de pacientes de câncer aproximava-se de 70%. “Hoje, a cada 100 pessoas matriculadas no Erasto Gaernter, 55 são curadas. Podemos dizer então que maioria das pessoas que têm câncer são curadas”, evidencia.

Homens sofrem mais com doenças do que mulheres

Quanto à diferença na incidência de doenças entre homens e mulheres, em que elas apresentam menores problemas, com o câncer não é diferente. Existe uma possibilidade de cura de 20% a mais em mulheres do que em homens. Segundo o médico, “elas reconhecem a necessidade de cuidar da saúde e contam com vários programas de saúde pública.”

A recomendação para os homens, portanto, é a de que ajam de forma a prevenir problemas sérios. O câncer de próstata, por exemplo – uma das maiores causas de morte ente o sexo masculino – é, na grande maioria das vezes, evitado com exames de toque retal e sanguíneo. O correto é que o procedimento seja feito a partir dos 50 anos, “mas quando o homem tem histórico familiar de câncer, deve começar aos 43 anos.” As piadinhas e brincadeiras devem ser ignoradas principalmente levando-se em conta as estatísticas. Segundo dados ressaltados pelo médico, nos últimos anos a incidência de câncer de próstata aumentou 200%, enquanto que a taxa de câncer de mama subiu 100%, metade. A preocupação com o exame de mamografia é um exemplo que prova que as mulheres se preocupam bastante com a saúde, já que é comum encontrá-las empenhadas em desvendar quaisquer sinais diferentes no corpo.  ”Mas não há motivo para desespero se um pequeno nódulo for encontrado. Pode ser que seja um probleminha hormonal”, acalma o médico.

Vida urbana apresenta mais fatores carcinogênicos

Mas, apesar da evolução no tratamento, é visível que há um crescimento importante no número de pacientes de câncer. E, segundo o diretor do IOP, isso não se deve apenas a fatores fisiológicos, mas ao estilo de vida a que as pessoas são submetidas. Há um grande contraste, por exemplo, no número de incidência da doença entre pessoas que vivem na zona rural e das que moram na cidade. De acordo com o oncologista, o êxodo rural contribuiu consideravelmente para que houvesse mais casos de câncer, tendo em vista que, entre 100 mil pessoas, apenas 80 das que vivem no meio rural têm câncer. Entre os que moram em meios urbanos, esse número sobre para 400. “As pessoas abandonaram muitos costumes sadios e se entregaram à vida sedentária. Hoje a vida urbana é um veneno! Temos agentes carcinogênicos no próprio ar e em produtos contidos em algumas embalagens de leite, por exemplo”, explica. O diretor do IOP também direciona a culpa à falta de tempo e às consequentes refeições rápidas, que geralmente terminam em redes de fast food – extremamente ricas em gordura e com potencial carcinogênico.

Melhorar a qualidade de vida pode evitar a incidência do câncer

Mas há alternativas simples que podem auxiliar bastante na prevenção do tão temido problema. “Se a pessoa praticar 30 minutos de uma caminhada moderada, reduz significativamente o risco de câncer”, garante o especialista. O estresse também pode ser um fator que vai no sentido contrário da boa saúde. De acordo com o oncologista, nesses casos outras ações maléficas entram em cena, como o cigarro e a exposição a ambientes nada favoráveis.

Além de todos estes fatores, há um outro que tem grande força na influencia nas fases da doença e na prevenção dela: o emocional. “E ele está diretamente ligado ao contexto urbano, que por sua vez está ligado às questões do corpo”, afirma o médico. Aí entram as motivações do paciente, a força de amigos e familiares – que jamais devem tratá-lo como ‘coitado’ ou vítima – e a vontade de viver.

Mas afinal, o que é o câncer?

De acordo com o diretor do IOP, o câncer ocorre quando a célula-mãe produz uma célula-filha que, em vez de comportar-se como a primeira, age de modo diferente, produzindo mais células do que o necessário. Apesar disso, a principal característica do câncer é que as paredes, fontes de proteína que, como uma espécie de cimento, colam as células umas nas outras, se rompem, deixando as células soltas. Assim, elas podem chegar até o sangue e estabelecer a metástase. “Quais alterações fazem com que essa célula saia dali e vá para um outro local provocar outras células longe daquelas? É a grande questão”, desabafa o diretor. O tumor existente no corpo humano tem a capacidade de criar vasos venosos e leva alimento sanguíneo às células mais centrais. Um dos tratamentos na quimioterapia, por exemplo, é impedir o que essas células fazem para produzir esses vasos.

Apesar de ser esse tipo de ‘célula maligna’ o grande vilão quando se fala em câncer, o médico explica que todo mundo a produz a todo segundo, mas que há um mecanismo no organismo que corrige o defeito ou elimina essa célula. Os pacientes de câncer contam com uma produção maior de células alteradas, ou contam com defeitos no reparo.

Pacientes curados enxergam a vida com outros olhos

Mas, mesmo com toda a gravidade e mistério que envolve a enfermidade, o médico afirma tratar-se de uma doença no mínimo interessante, em que “a gente vai passar a vida estudando e não vai entender por completo.” E, com todas as chances de cura existentes hoje, ele fala de boca cheia que o câncer não é uma sentença de morte e que, ao contrário, ele pode ser o pontapé inicial para uma nova vida. “Parece que, depois de curadas, as pessoas andam nas ruas valorizando o meio ambiente, o sol. Tudo fica mais bonito e com brilho”, conclui perseverante.

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